As redes sociais e os perigos de partilhar em demasia

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Vivemos em uma época em que tudo é partilhado, em que o surgimento de sites e de plataformas de rede sociais abriram uma nova maneira de partilha de todos os tipos de informações pessoais, a tal ponto que a divulgação de uma grande quantidade de detalhes pessoais na Internet passou a ter uma importância secundária para os utilizadores.

A ansiedade das pessoas em partilhar não é algo novo. É uma evidência do desejo humano intrínseco de querer ligar-se aos outros. Portanto, talvez possamos dizer que esse “problema” não é responsabilidade do fenómeno digital em si, mas sim que a incidência do digital está mais relacionada com o tipo de informação que partilhamos e a quem permitimos o acesso.

Muitos utilizadores não param para pensar nos riscos aos quais estão expostos ao partilhar informações pessoais em plataformas sociais. O mesmo se aplica às poucas restrições ao configurar as permissões das aplicações utilizadas nesses sites para filtrar quem pode ver as suas atividades. Se levarmos em linha de conta que a maioria dos utilizadores geralmente usa mais do que uma rede social, é muito provável que um criminoso possa construir um perfil bastante detalhado de um alvo de ataque, coletando apenas informações sobre os seus perfis e atividades em cada uma das suas contas das redes sociais.

Sobressaturadas de informações pessoais, as redes sociais tornaram-se território ideal para os criminosos. Tendo usado esses sites como ferramentas de reconhecimento, um cibercriminoso pode enviar uma mensagem direcionada (spearphishing) na qual ele tenta fazer com que a vítima visite uma página falsa, que parece ser legítima, com o objetivo de roubar seus dados de acesso e dinheiro. Eles podem também manipulá-lo para cair na armadilha de abrir um anexo infetado com um malware que atua como um dropper para outro malware capaz de fazer todos os tipos de coisas, incluindo o download de dados ou a gravação de tudo o que digitamos no computador através de um keylogger.

Essas mensagens podem ser extremamente personalizadas para dar a impressão de que foram enviadas por um colega, uma vez que esse tipo de estratégia é provavelmente mais bem-sucedida do que as realizadas de maneira massiva e automática.

É importante entender que o conceito de networking que está no centro das plataformas sociais não promove um estado de cautela, mas sim o oposto. Muitas pessoas ficam desatentas nas redes sociais e clicam em links maliciosos que dificilmente seriam clicados se fossem recebidos num e-mail.

Embora as técnicas de Engenharia Social tenham surgido antes das plataformas sociais on-line, elas ganharam força com a chegada das redes sociais e abriram novos caminhos para o roubo de identidade, fraudes on-line e outros tipos de crimes.

 

Precauções contra o fator humano

Quais são as medidas que podemos tomar para neutralizar os riscos derivados da troca excessiva de informações digitais?

Um bom ponto de partida pode passar por começar a rever com certa regularidade e configurar melhor as opções de privacidade disponíveis em cada uma das redes sociais que usa. Por outro lado, sempre que possível, recomenda-se limitar ao máximo o acesso de pessoas que podem ver o que está a fazer.

Algo que é importante ter em conta é que, mesmo configurando as suas opções de privacidade, assim que algo é publicado, automaticamente perdemos o controle sobre o que os outrospodem fazer com a nossa informação.

Considerando isso, provavelmente será útil limitar as informações que publica, especialmente aquelas que podem torná-lo vulnerável. O mais seguro é sempre evitar publicar o que não gostaria que o público possa ver. Além disso, pense como um cibercriminoso: as informações partilhadas podem ser usadas contra si? Se for o caso, melhor não as partilhar…

Tenha cuidado com essas mensagens suspeitas, principalmente quando contêm links ou parecem boas demais para ser verdade. Essa recomendação aplica-se até mesmo a mensagens enviadas por amigos, pois podem ser provenientes de um cibercriminoso que atacou a conta do seu amigo.

Além disso, seja cético em relação às pessoas desconhecidas que enviam solicitações de amizade por meio das redes sociais. O ideal é aceitar apenas pedidos de amigos, conhecidos ou pessoas com quem você tenha amigos em comum na vida real. A Internet está cheia de golpistas que aproveitam todos os tipos de manobras. Há até aqueles que planeiam o roubo de casas aproveitando-se quando os utilizadores divulgam para o mundo que estão de férias e que não há ninguém em casa.

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(2018). As redes sociais e os perigos de partilhar em demasia. Recuperado a 20 de Agosto 2018, de http://portal.i9magazine.pt/as-redes-sociais-e-os-perigos-de-partilhar-em-demasia/