Portugal regista pico de 200 mil ciberataques no final de abril

A partir do momento em que foi decretado o estado de emergência no País, número de ciberataques relacionados com o tema da pandemia ‘explodiu’ e só começou a baixar quando foi anunciada a transição para o estado de calamidade. Em Portugal, diz Rui Duro, da empresa Checkpoint, “a cibersegurança é básica e muitas vezes inexistente”, sobretudo nas pequenas empresas.

Portugal, ciberataques

Os primeiros ataques informáticos que exploravam o tema da Covid-19 para enganar os utilizadores começaram a surgir no início de março, mas só a partir do dia 23 desse mês, numa fase em que já vigorava o estado de emergência em Portugal, é que o volume de ciberataques aumentou de forma significativa. Na semana de 30 de março foram registado 50 mil ataques informáticos no País relacionados com a Covid-19, número que em menos de um mês, na semana de 20 de abril, atingia um pico de 200 mil ataques.

Os números foram partilhados nesta quinta-feira pela empresa de segurança informática Checkpoint em conferência de imprensa. “A Covid-19 trouxe oportunidade e os cibercriminosos procuram sempre capitalizar as últimas tendências. E a última tendência no mercado é a Covid-19”, começou por explicar Rui Duro, gestor de vendas da tecnológica israelita em Portugal. “Ainda estamos muito focados na tecnologia, no ciberataque, se é bot, se é malware ou código malicioso, mas não estamos focados no porquê e que oportunidades estou a abrir na minha empresa para que isto possa acontecer”, acrescentou.

Desde o início do ano até ao final de abril, a Checkpoint detetou ainda o registo de 30 mil novos domínios em Portugal relacionados com a Covid-19, dos quais 600 (2%) eram maliciosos. Mas outros 15%, que correspondem a cerca de 4500 sites, foram classificados pela empresa de cibersegurança como potencialmente maliciosos.

“Somos inseguros, vulneráveis, temos a necessidade de ter informação sobre a pandemia e isso vai levar-nos a ter uma maior necessidade em procurar a informação e a ter menos discernimento se os locais onde procuramos são os mais corretos”, sublinha o porta-voz da Checkpoint em Portugal.

Os dados mostram também que no caso do mercado português, 90% dos vetores de ataque que incluem ficheiros maliciosos chegam por e-mail, sendo que os restantes 10% são distribuídos através de páginas web.

Rui Duro não partilhou números específicos sobre a eficácia das dezenas de milhares de tentativas de ataques informáticos que se registou nos meses de março e abril, mas a maturidade das empresas portuguesas no segmento da segurança informática deixa muito a desejar, segundo o responsável. “O facto de nós [empresas portuguesas] não investirmos muito em cibersegurança, pessoas, processos e tecnologias, temos uma média de infeção e vulnerabilidade maior em relação à grande maioria dos países”, sublinha Rui Duro.

Ainda assim, sublinha o responsável, há uma grande diferença entre as grandes empresas e as pequenas e médias empresas, segundo os dados e a experiência da Checkpoint no mercado português. “Obviamente que nas grandes empresas, e sempre foi assim, são sofisticadas, têm recursos suficientes e com conhecimento, mas a realidade da indústria nacional e principalmente das pequenas empresas, a cibersegurança é básica e muitas vezes inexistente”.

 

Formação Relacionada

Portugal, ciberataques

Ferreira, Rui da Rocha (2020) Portugal regista pico de 200 mil ciberataques no final de abril. Recuperado a 18 de Maio de 2020 em https://visao.sapo.pt/exameinformatica/noticias-ei/mercados/2020-05-14-checkpoint-dados-ataques-informaticos-portugal-covid-19/