Empresas ainda confundem segurança com antivírus

segurança da informação, confundem segurança com antivírus
Brasileiros ainda enxergam segurança cibernética como commodity. “Costumo dizer: você consegue sair do supermercado com uma caixa de leite e uma caixa de antivírus na mão”, brinca Roberto Rebouças, diretor-geral (…)

“Não que tenha acabado, mas antivírus são apenas um pedaço pequeno do que é a segurança atualmente. Ainda confundem segurança com antivírus”, alerta o executivo, que há um ano e meio lidera as operações da companhia russa de segurança cibernética no Brasil.

O executivo lembra que a segurança da informação vai muito além da simples proteção contra vírus e malware. Um exemplo é o ataque phshing, que não é um malware, mas simplesmente uma estratégia hacker para convencer internautas a clicarem em links maliciosos, normalmente com falsas campanhas como “isca”. “Você precisa ter uma segurança embarcada que diz que esse site não é verdadeiro”, defende.

Uma das principais causas da vulnerabilidade de organizações, para Rebouças, são estratégias inadequadas. “Empresas faturam como companhias mas têm mentalidade de proteção como usuários caseiros: (produtos) grátis. Elas ainda usam proteção grátis que vem embarcada nos dispositivos”, comenta. “E o grátis sai caro”, alerta.

Origem do problema

Rebouças recorre a sua experiência no início da carreira para lembrar uma das origens da falta de cultura de segurança em organizações. “Fui gestor de TI em banco e o que acontece é que TI geralmente é uma área sem faturamento dentro de empresas. Por isso, é difícil conseguir verba para investimentos em segurança. De maneira geral, quando é pedido para reduzir gastos, significa gastar menos. Por isso a emprea vai comprar algo mais barato.”

Entra por um ouvido e sai pelo outro

O devastador caso do ransomware WannaCry, que derrubou milhões de máquinas em todo o mundo no ano passado, foi tratado por muitas pessoas como um verdadeiro alerta para companhias. Rebouças concorda com a afirmação, mas diz que esse boom durou não mais que seis meses. “O WannaCry acordou muita gente, mas infelizmente temos mentalidade de que nada vai acontecer conosco. É como dizer que um raio nao cairá duas vezes no mesmo lugar. Com segurança é ao contrário. Se você foi atacado uma vez, será de novo. E até com mais certeza porque o mercado sabe que você é inseguro”, diz.

Rebouças diz que o mega ataque criou preocupação, mas caiu no esquecimento em meio a tantas outras preocupações do dia a dia.

Segurança no core

O fato é que empresas estão mais avançadas no quesito segurança da informação, inclusive com o avanço da figura do CISO (Chief Information Security Officer), mas, para Rebouças, ainda há barreiras a serem quebradas.

O executivo cita como bons exemplos os casos de empresas como bancos e seguradoras, que têm criado o papel do arquiteto de segurança, profissional responsável por pensar a segurança em cada projeto desenvolvido. E é justamente esse ponto que ele defende: colocar a segurança da informação no início de cada discussão, senão pode ser tarde demais.

“É como projetar um carro. A montadora cria todas as peças e no fim vai colocar banco, cinto de segurança e airbag? Pode ser que não caiba no veículo. É preciso pensar tudo desde o começo de cada produção. Da mesma forma a segurança da informação, que tem de ser by design e pensada antes de qualquer processo.”

Rebouças diz também que vê uma postura mais avançada, mas organizações ainda continuam pensando que a aquisição de uma única tecnologia resolve o problema. “Não existe segurança default em dispositivos”, finaliza.

 

Formação Relacionada

segurança da informação, confundem segurança com antivírus

Borini, Guilherme (2018). “Empresas ainda confundem segurança com antivírus”, diz líder da Kaspersky Lab. Recuperado a 9 de Abril 2018, de http://computerworld.com.br/empresas-ainda-confundem-seguranca-com-antivirus-diz-lider-da-kaspersky-lab